O que o Direito tem a ver com as Relações Internacionais?

E lá estava eu, com os meus vinte e poucos anos de idade, cursando no período noturno o Curso de Relações Internacionais. Eu havia feito três anos de Direito na mesma instituição de ensino. Foi uma mudança tranquila, considerando que eu conseguiria eliminar algumas matérias do currículo por ter estudado Direito. O Coordenador do Curso de RI era o Dr. Pedro Dallari, filho do famoso jurista Dalmo Dallari.

Éramos a primeira turma do curso. Na aula inaugural, ministrada pelo Pedro Dallari,  estávamos todos bem acomodados no auditório do campus. Era uma noite tranquila. A nossa turma, composta por maioria de mulheres, estava se conhecendo. Erámos quatro homens, para ser mais exato, para 40 mulheres.

Naquela noite, para desespero da minha turma, vimos uma movimentação ameaçadora de alunos dos outros cursos de administração e economia do lado de fora do auditório, cujo o objetivo deles era o de dar trote nos alunos da minha turma.

Eu, ex-estagiário e estudante de Direito, já havia sofrido com o meu trote anos atrás. Fiquei indignado e me insurgi contra os alunos dos outros cursos diante do evidente constrangimento. A aula inaugural teve que ser interrompida, com o pedido do Coordenador para que eles se retirassem do auditório, e se necessário, à força. Eu me lembro dos bedéis do campus sendo acionados para conter os ânimos.

Hoje, passados tantos anos, eu vejo que naquela noite eu ganhava uma espécie de respeito natural da turma. Estavam ali também outros professores que concordaram com a minha atitude. De fato, não havia nenhuma razão os alunos de outros cursos darem trote nos alunos da minha turma, pois eles não eram e jamais seriam nossos veteranos. Talvez, por causa desse episódio, eu não me lembro de nos anos seguintes ter visto aluno de Relações Internacionais dar trote em ninguém.

A lição que eu aprendi é que existem meios diplomáticos para mediar uma ameaça de violência. Tive que ser firme, como havia aprendido no Direito, caso contrário ninguém acreditaria em mim. Mas também tive que ser brando, porque estou muito certo que a resposta branda desvia a fúria e coloca o inimigo numa baita confusão.

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